Claudio Mascaro

Notas

A preferência não é por humano; é por não ficar preso

O que a pesquisa de usabilidade registra como bem recebido é o bot assumir a falha e oferecer uma saída — o que desloca a questão de "humano ou IA" para "resolve ou não resolve".

A pergunta que assombra quem coloca um atendimento automatizado na frente do cliente costuma ser formulada como preferência: a pessoa vai preferir falar com um humano.

O que a pesquisa de usabilidade da Nielsen Norman Group registra é mais estreito e mais útil: "Owning the failure and offering an escape hatch (phone number or a live agent) were generally perceived favorably". A avaliação favorável está associada a um comportamento específico — reconhecer a falha e abrir a saída — e não a uma preferência geral por atendimento humano.

A diferença muda o que se deve projetar. Se a preferência fosse por humano, a conclusão seria colocar gente na frente o quanto antes, e a automação seria sempre um mal menor. Se o que é bem avaliado é não ficar preso, a conclusão é outra: um agente que resolve rápido e reconhece o que não sabe resolver pode ser avaliado tão bem quanto o atendimento humano.

Isso também sugere o que medir. Não a satisfação com "falar com robô", que mede preconceito declarado, mas o desfecho: a pessoa conseguiu o que veio buscar, em quanto tempo, e quando pediu saída, encontrou uma. São perguntas que a conversa registrada já responde, sem pesquisa de opinião.