Claudio Mascaro

Notas

Prometa o que a sua operação aguenta

Minha opinião: a promessa de atendimento humano é feita por default, sem ninguém checar se existe quem a cumpra — e ela custa mais caro do que não prometer nada.

A promessa de atendimento humano entra nos produtos por default. Vem no template, vem na expectativa do mercado, vem da sensação de que oferecer uma pessoa é sempre mais generoso que não oferecer. Quase nunca vem acompanhada da pergunta sobre quem vai atender.

Minha opinião é que essa promessa não cumprida custa mais do que a ausência dela. Um visitante que não vê botão de falar com alguém procura outro caminho — lê mais, agenda, escreve, desiste rápido. Um visitante que vê o botão, aperta e espera fica parado numa expectativa que eu criei. Eu troquei a autonomia dele por uma fila que não existe.

A evidência de que isso é estrutural, e não desleixo pessoal, está em quanto empresa com equipe erra o mesmo alvo. Um levantamento sobre tempo de resposta a leads registra que "Nearly 1 in 5 companies didn't respond by email altogether". Se com time montado a promessa fura, ela não vai parar de furar porque eu me esforcei mais.

O que eu defendo é impopular e é honesto: desenhar a partir da capacidade. Se a minha capacidade é responder em algumas horas, a interface deveria prometer algumas horas — ou não prometer conversa, e oferecer o que se conclui sozinho: um agendamento, um caminho assíncrono, uma resposta automática que resolva o caso simples.

E aqui entra a parte que me interessa construir. Fallback, para mim, não é o plano B envergonhado; é o produto que eu consigo sustentar. Um conjunto de agentes que conduz a conversa até um desfecho possível não está substituindo o atendente que eu teria — está substituindo o silêncio que eu tenho.