O que a delegação a um agente não delega
A orientação pública para construir sistemas com modelos é começar pela solução mais simples e só aumentar a complexidade quando necessário; quem delega a construção continua dono desse critério.
Quando um agente escreve o código, a autoria da implementação muda de mãos. O critério de necessidade, não.
A orientação da engenharia da Anthropic para quem constrói com modelos é "find the simplest solution possible, and only increasing complexity when needed". É uma regra sobre a decisão, não sobre quem digita. Um agente que escolhe um pipeline de recuperação sem que ninguém tenha medido a necessidade dele não violou a regra por conta própria: ele operou num vácuo onde o critério não foi declarado.
A consequência prática para quem delega é que a revisão precisa alcançar as escolhas estruturais, não só o comportamento observável. Um chat que responde é um chat que passou no teste de aceitação óbvio; ele pode ter passado carregando uma camada inteira que ninguém pediu, que ninguém mediu, e que agora precisa ser mantida.
A pergunta a fazer para toda peça de infraestrutura herdada de uma sessão de agente é a mesma que se faria a um colega: que medida justificou isso. Quando a resposta é nenhuma, a peça não está necessariamente errada — está apenas sem prova, e é candidata a ser simplificada antes de ser otimizada.