Claudio Mascaro

Notas

O custo que a retenção correta empurra para a fila

Todo item que um controle retém com razão vira trabalho de revisão, e a lei de Little diz quanto tempo esse trabalho fica parado.

Discussões sobre controles automáticos costumam se concentrar no erro: o que passou e não devia, o que foi barrado sem motivo. A retenção correta — o item que o controle segurou com razão — entra na conta como acerto, e some.

Ela não some. Ela vira trabalho. Um item retido corretamente precisa ser lido por alguém, julgado, e devolvido ao fluxo ou descartado. Enquanto isso não acontece, ele é trabalho parado, e o tempo em que fica parado tem fórmula. A lei de Little estabelece que "the long-term average number of customers (L) in a stationary system is equal to the long-term average effective arrival rate (λ) multiplied by the average time that a customer spends in the system (W)".

Rearranjada, ela responde o que interessa: o tempo médio de espera é o tamanho da fila dividido pela taxa de atendimento. Se a fila de revisão acumula dez itens e quem revisa dá conta de dois por semana, cada item espera cinco semanas — independentemente da ordem em que forem revisados, porque a lei não depende da disciplina de atendimento.

Duas consequências seguem daí. A primeira é que apertar um controle tem custo mesmo quando ele acerta: mais retenções corretas é mais fila, e mais fila é mais espera para todo mundo que está nela. A segunda é que a capacidade de revisão, e não a precisão do controle, é o que determina se o material retido volta a circular — e essa capacidade é a variável que quase nunca é dimensionada junto com o controle.

Uma observação sobre a fonte: a referência acima é uma enciclopédia com padrão editorial, não a publicação original. O artigo primário está atrás de assinatura e não foi aberto.