Conselho de fora é hipótese, não diagnóstico
Esta é uma opinião sobre método: acho que apontamento escrito não decide arquitetura, e que o que decide é dado do próprio sistema.
Vou colocar isso como opinião, porque é o que é: acho que apontamento escrito, sozinho, não deveria mover arquitetura.
Não porque quem aponta esteja errado. Na maior parte das vezes está certo em geral e sem saber se está certo ali. Quem sugere um caminho técnico enxerga um sintoma e devolve o remédio que a literatura associa àquele sintoma. É útil, é generoso, e não é diagnóstico — porque diagnóstico exige olhar o paciente, e o paciente é o meu sistema, com os meus números.
O risco de tratar sugestão como diagnóstico não é fazer besteira; é fazer trabalho competente no lugar errado. Eu construo o pipeline direitinho, ele fica bonito, e o usuário continua esperando o mesmo tanto porque o tempo estava sendo gasto na outra ponta. Ninguém erra nada visível nesse caminho, e a única perda é o mês.
O que eu defendo é uma etapa barata entre o conselho e a obra: medir a parte que o conselho aponta. Se a medida confirmar, o conselho vira plano com prioridade. Se desmentir, eu ganhei conhecimento do meu próprio sistema, que era o que faltava desde o começo.
Por isso digo que não depende só do que está escrito. Depende de experiência empírica ou de observação por dados — e essas duas, quem produz sou eu, na minha casa, não quem passou pela porta e reparou.