Claudio Mascaro

Notas

A saída de emergência é parte do desenho, não admissão de derrota

A recomendação de usabilidade para chatbots inclui oferecer um caminho explícito para um humano; o que ela não resolve é o que acontece quando esse caminho é acionado e não há ninguém do outro lado.

A orientação da Nielsen Norman Group sobre chatbots é direta quanto à saída: "Be honest about not understanding. Offer an escape hatch in the form of a real human, a phone number, or a link to a different interaction channel".

Duas coisas se seguem disso. A primeira é que oferecer o botão é acerto de projeto, e não confissão de que o bot é ruim — a saída existe justamente para que os limites do bot não virem prisão para o visitante. A segunda, menos comentada, é que a recomendação descreve três formas de saída: uma pessoa, um telefone e um canal diferente. As três têm em comum uma promessa implícita de que alguém atende.

É aí que o padrão encosta na operação. Um botão de falar com atendente é uma promessa feita em nome de uma capacidade humana que precisa existir na hora em que o botão for apertado. Quando ela não existe, o padrão de usabilidade continua sendo seguido na tela e quebrado na experiência: o visitante fez exatamente o que a interface sugeriu e ficou esperando.

A leitura útil, então, é que a saída de emergência não é uma decisão só de interface. Ela é a interface de um compromisso operacional, e o desenho só está completo quando os dois lados existem — inclusive na forma de dizer honestamente que ninguém está disponível agora, que é a versão adulta do mesmo conselho.