Claudio Mascaro

Notas

A operação de uma pessoa só precisa ser desenhada como tal

Minha opinião: o erro não foi perder as duas conversas, e sim ter desenhado um fluxo que só funciona se eu estiver disponível.

Quando eu perdi aquelas conversas, a primeira explicação que me veio foi minha: eu não estava lá. É verdade e é insuficiente, porque a pergunta seguinte é por que o sistema dependia de eu estar.

Minha opinião é que operações de uma pessoa só costumam ser desenhadas como se fossem operações pequenas de empresa — mesmo fluxo, mesma promessa, menos gente. Não é a mesma coisa. Uma empresa pequena tem redundância: se um não vê, outro vê. Uma pessoa só não tem nenhuma, e um fluxo sem redundância que promete resposta rápida está prometendo em nome de alguém que pode estar dando banho num bebê.

O que eu defendo não é baixar a régua. É trocar a régua de lugar. Em vez de perguntar quanto tempo eu levo para responder, perguntar o que o sistema entrega sozinho enquanto ninguém responde: o que ele coleta, o que ele agenda, que expectativa ele cria, e como ele devolve a conversa para mim de um jeito que ainda seja aproveitável mais tarde.

Há também um limite que eu quero registrar com honestidade. Uma esteira agêntica mais flexível e automatizada é a direção que me interessa, e eu não tenho medida de quanto ela recuperaria dessas conversas. Ela é hipótese de trabalho, não solução comprovada, e vou tratá-la assim até ter dado.

O que não é hipótese é o diagnóstico: o gargalo do meu atendimento não é a plataforma nem a IA. É a suposição, embutida no fluxo, de que existe alguém de plantão.